Parece que ninguém quer ser lembrado de que existem outras pessoas com suas próprias dores além do seu universo pessoal. Ontem eu me dei conta disso no ônibus enquanto voltava pra casa. A Vida veio mais uma vez escarrar na minha cara sem necessidade e eu estava triste. Chorei a viajem inteira, não me envergonho em dizer, nada havia de belo em meus soluços. Sempre fico boba quando vejo certas mulheres que quando choraram ficam até mais bonitas...eu não sou uma dessas...meus olhos ficam vermelhos e inchados e meu nariz escorre e meu rosto transparece tudo o que eu estou sentindo(e isso é raro). Mas voltemos ao desconforto alheio...me sentei atrás do banco alto traseiro para ter mais privacidade e o ônibus foi enchendo. Um senhor me pediu licença para se sentar ao meu lado e pareceu manter uma distancia respeitosa. Algumas pessoas em volta olhavam as vezes mas a maior parte do tempo elas preferiam desviar seu olhar. O inusitado foi o rapaz que se sentou diretamente a minha frente, no banco alto. Ele olhou pelo reflexo da janela algumas vezes...colocou um fone de ouvido e tentou se distrair mas enfim desistiu e no meio da viajem foi se sentar em outro lugar. Eu achei isso uma coisa de viado (sem ofença a homosexuais). No meio de tuda aquela merda vem o cara e faz uma coisa dessas. Quase me levantei e disse pra ele: "Quem é vc pra se sentir desconfortável com o meu sofrimento?!". Mas achei melhor chorar sossegada no meu canto.

Não sei muito bem por que estou postando isso no blog...mas senti que precisava escrever alguma coisa ou explodir e o cara ficou com a minha única caneta ontem rsrsrsrsr. O Bukowski tinha muitos textos assim...onde ele contava como se sentia em relação as coisas. Não estou me comparando mas se ele podia então por que eu não posso também.
E as pessoas que ficarem desconfortaveis com esse texto...por favor não fiquem...saiam de seus casulos e abraçem o mundo...ou fodam-se...não necessariamente nessa ordem.
Gabriela Tavares
mandou muito bem, continue assim!
ResponderExcluir