segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sol na praia

O Sol passa através da minha pele
E meus pés cavam na areia
Me ligando mais na terra
Estendo os braços para o céu
E viro uma ponte.

14/07
 

domingo, 17 de julho de 2011

Primeira coisa boa em muito tempo

A vida segue lá fora
Mas as pedras das ruas são como um círculo
Que mantém o mundo de fora.

A vida segue lá fora
Mas volto a Paraty
Como se volta a um
Amante antigo
Que me abraça e
Parece feliz em me ver.

A vida segue lá fora
Mas dentro do quarto
O mundo parou de girar
E se ouvem os bem-te-vis pela manhã
E se vê a Lua a noite
Mas o tempo não passa.

A vida segue lá fora
E eu não quero sair
Desse universo de lençóis e travesseiros
Onde o Sol caminha de mãos entrelaçadas com a Lua
E o Mar se faz sempre presente.

A vida segue lá fora
E eu não quero mais voltar.
11/07


Imagem de Sandy Smith.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

...E eu ando pela rua nessa madrugada fria pensando, quem sabe, em encontrar você. Talvez eu te ache no próximo bar ou na boate da esquina. Cansei da festa onde estava e fico querendo cair na sua cama e não levantar por uns três dias. Te chamar de puto, de filho da puta pra depois te beijar a boca como nunca beijei antes e deitar no seu peito do jeito que a gente fazia. Vamos dormir desconfortáveis...vou roubar seu cobertor do mesmo jeito que você roubou tudo que havia em mim. Mas eu disco o seu número e você não atende. Cair na minha cama é melhor do que cair em uma cama estranha? A minha própria cama acaba estranha na ausência de você. Que eu sinto todo dia no fundo da minha cabeça, por baixo de todas as outras coisas. Especialmente no meio da madrugada.
03/07 04:41
 
 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Achei isso na rua outro dia


Pedaços de amor que a gente encontra espalhados pelo mundo. Quem será que deixou esse? Será que alguém já encontrou algum pedaço meu no chão?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Eu queria que você me visse hoje.

Estava me sentindo tão bonita quando saí de casa pro trabalho. Me vesti num estilo diferente e fiz um penteado que acho que você ia gostar. Andei pela rua pensando: "Será que encontro com ele?" - Besteira...por que ele estaria ali? A casa dele é tão longe da minha e nossos caminhos nunca se cruzam.Na verdade a única coisa comum que tínhamos era mesmo nós dois. Nada mais nos liga. Não temos os mesmos amigos, nem frequentamos a mesma faculdade e para que não nos vejamos mais basta não ir nos mesmos eventos de poesia. Essa vida é engraçada de tão triste. E quando acho que as coisas estão melhorando, vejo o quanto estava errada e que na verdade minha cabeça está tão fudida que eu nem percebo mais quando estou deprimida. As músicas não ajudam e muito menos os filmes estúpidos que estão sempre passando na TV.

Acordo todo dia vendo meu coração pregado na parede, diante dos meus olhos. Eu podia guardar ele numa gaveta qualquer mas me recuso a fazer isso. Ele tem que continuar ali como uma constante lembrança.

De que meus olhos estão abertos e, mesmo assim, não vejo mais nada.

Do mesmo jeito que você não me vê.
28/06
 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Grito

Eu grito porque não tenho mais o que dizer


E porque não tenho mais nada

Só minha voz

Que afogada

Fica se repetindo dentro da minha cabeça.

E nas horas que eu mais sinto falta

É o grito que me acompanha

É ele que conversa comigo.

E quando eu penso que foi embora

Quando é sussurro

Ele volta

Me fazendo tremer

Com uma energia que não tem por onde sair.



O grito ecoa

Mudo

E eu não sei por que ainda não explodi.



Gabriela Tavares
16/06/2001

sábado, 30 de abril de 2011

Prosa poética

Hoje disseram para o mar "Jandira" de Murilo Mendes. Lembrei, como sempre, da primeira vez que ouvi esse poema. Olhava a boca do meu amado, que se movia harmoniosa e dela saia o um dos sons mais lindos do mundo. Sua voz num tom de carinho que há muito não ouço mais.

Meu amor me mostrou que o melhor jeito de ouvir poesia é nua. E nesse estado de graça é que me encontrava, bebendo as palavras e sonhando. A mercê de seus beijos que voavam pelo quarto como mariposas e pousavam em mim. E eu as engolia do mesmo jeito que engolia o resto do amado. Numa vontade louca de consumir o que amo. Roubando-o dele mesmo, pedaço por pedaço. O tendo dentro das minhas pernas, na minha saliva, debaixo das minhas unhas...

Meu amado vive agora no meu corpo misturado em minhas células.

Não sou mais só eu só.

Sem ele eu nunca estou sozinha.


27/04